Um passeio pela história de Tanguá: A origem de Tomascar… ou Tomaz Carr?

Tanguá

 

Localizada na região sul ocidental de Rio Bonito, Tomascar é uma localidade de rara beleza. Por conta das suas cachoeiras e demais belezas naturais, o local é muito procurado por grupos que praticam o turismo de aventura. A origem do nome “Tomascar” tem gerado controvérsia ao logo dos tempos. Partindo desse princípio, nós iniciamos uma pesquisa para desvendar a origem do nome “Tomascar”.

Em Tanguá, na Prefeitura Municipal, consultamos o arquivo da Biblioteca Municipal e os dados que encontramos foram os seguintes:

Pesquisadores tanguaenses descobriram que Tomascar era um engenheiro alemão que trabalhou na construção da ferrovia que corta a região. Pelos seus bons serviços prestados a coroa portuguesa, D. João VI doou as terras para ele. Assim, o engenheiro construiu sua fazenda na região. Questionados sobre documentos que comprove a veracidade dessa história, os pesquisadores informaram ser essa uma narrativa oral, ou seja, contada de geração para geração.

RODA DÁGUA DO ENGENHO  EM TOMASCAR

Roda D’água do engenho em Tomascar

Achamos a informação interessante, mas para não nos basearmos numa só fonte, nós consultamos as cartas de sesmaria concedidas em Rio Bonito e Tanguá nos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX. Encontramos documentos que esclarecem o seguinte: no dia 17 de Dezembro de 1803, Tomaz Carr Ribeiro de Bustamante recebeu uma data de terras medindo três léguas em quadra, principiando, onde acabam as terras da posse, pertencente ao Capitão João Coutinho Pereira e outros. A fonte foi o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro.

Aí começa a controvérsia! Se ele recebeu essas terras em 1803, a história oral contada pelos pesquisadores de Tanguá está equivocada, porque em 1803 a ferrovia ainda não havia passado por aqui. A primeira notícia sobre trens no estado do Rio de Janeiro é do século XIX. Ele chegou através do Barão de Mauá, e, isso, no segundo Reinado, ou seja, pelos meados do século XIX. Pelo que sabemos, a história do trem na região é a seguinte: os primeiros trilhos saíram do porto de Mauá, em 1860, com um ramal direcionado a Petrópolis e a Porto das Caixas. Os trilhos só chegam a Tanguá em 1878. Em Rio Bonito, em 1880.

Mesmo assim prosseguimos em busca de mais informações sobre Tomascar. Encontramos a resposta nos Livros de Óbitos e Testamentos da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Rio Bonito, ao encontrarmos o Testamento do Capitão Tomaz Carr Ribeiro de Bustamente, redigido no ano de 1805, ou seja, dois anos após ele receber as terras na localidade. Também encontramos o registro de óbito do próprio Tomaz Carr.

O testamento é bem esclarecedor, pois nele, o próprio Tomaz Carr Ribeiro de Bustamante deixa as seguintes informações: Tomaz Carr Ribeiro de Bustamante, nascido no ano de 1733, batizado na capela da fazenda de Itaóca em São Gonçalo, filho do desembargador e juiz do Fisco, Dr. Roberto Carr Ribeiro, natural de Portugal; e de Dona Maria Angélica de Sá Figueiredo, também natural de Portugal. No testamento as terras foram divididas entre os herdeiros de Tomaz Carr, que faleceu no dia 13 de Março de 1806 (Livro de Óbitos, número 2, folhas de número 19).

 

Proprietários de terra em Tomascar no decorrer do tempo

ENGENHO EM TOMASCAR

Imagem do Engenho de Tomascar

De 1803 a 1818, as terras de Tomascar pertenciam à família de Tomaz Carr. A partir de 1818 elas foram dividas e vendidas para outros povoadores: as famílias, “Furtado de Mendonça”, “Rosa Figueiredo”, “Nunes da Rosa”, “Nunes da Rocha”, “Guimarães”, “José de Freitas”, “Moraes”, “Mesquita”, entre outras. Por volta de 1910, as terras que formam o atual centro urbano de Tomascar foram adquiridas por João Firmino de Moraes, junto com a sede da fazenda Tomascar, além do engenho e as demais benfeitorias.

Tempos depois as terras foram adquiridas por Claudionor José da Rosa. Atualmente pertencem aos filhos e netos de Claudionor, patrono da escola municipal de Tomascar. Os pontos turísticos de Tomascar são o Engenho de Farinha; a Cachoeira; o Restaurante da Marilene Rocha da Rosa e Evanil Moura da Rosa (Ninil); e a grande variedade de aves silvestre livres no local.

*Dawson Nascimento é pesquisador, músico e artesão.

Texto: Dawson Nascimento
Imagens: Dawson Nascimento
Fonte: Blog do Jornalista Flávio Azevedo (http://jornalistaflavioazevedo.blogspot.com.br/)

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